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sex 18.03.11
Professor Liévore: de executivo a palestrante de sucesso

Por Caio Lauer

 

 

Professor Liévore leva todo seu conhecimento de mercado para suas palestras empresariais. Com mais de 20 anos de experiência como executivo em grandes empresas como Alpargatas, Topper e Grendene, ele já realizou mais de quatro mil eventos por todo Brasil.

Em entrevista ao Carreira & Sucesso, ele conta como essa longa trajetória do universo corporativo o fez se tornar um palestrante de sucesso na área de vendas, motivação e qualidade. Além disso, revela quanto o Marketing Pessoal – tema de uma de suas obras – é importante para qualquer profissional.

Boa leitura!

 

 

 

Qual é sua formação acadêmica?

Sou formado em Marketing de Varejo, com especialização em Marketing e Finanças na Drexel University, na Filadélfia, Estados Unidos.

 

Por meio de que área ingressou no mercado de trabalho?

Tenho uma veia motivacional muito forte e levo isso para minhas apresentações.

Lá atrás, quando criança, engraxava sapatos na praça da minha cidade, Paranaguá, e conto isso em meu livro “Decidi Ser Vencedor”. Nesta época, tinha um sonho de consumo de ter um tênis Kichute e precisei ir trabalhar para comprá-lo. Eu era muito irreverente e irrequieto, também vendia picolés na feira, arrumei um carrinho de pipocas e já fazia uma espécie de marketing de relacionamento sem saber que isso existia. Sabia o nome de todas as pessoas, brincava com elas, mas minha mãe não se conformava de me ver na rua e me levou para Curitiba, para prestar vestibular no Colégio Militar da cidade. Após um ano de cursinho, consegui entrar no Colégio e acabei ficando por lá durante oito, onde acabei aprendendo muito sobre disciplina, garra, coragem e trabalho em equipe.

Depois de formado, não segui carreira militar e fui fazer um teste na São Paulo Alpargatas, como auxiliar de promotor de vendas. Fui crescendo na própria Alpargatas até que apareceu uma vaga na Topper – que estava surgindo no Brasil -, abracei a ideia e acabei progredindo juntamente com a marca. Tenho o maior orgulho de ser um dos fundadores desta operação de marketing.

 

E como foi sua passagem pela Topper?

Fiquei como vendedor na região sul durante um período e depois fui incumbido de gerenciar o processo de inserção da marca no Norte/Nordeste. Fui responsável por, praticamente, criar a regional, onde administrei e criei uma equipe de 15 pessoas, que atendia da Bahia ao Acre, e que fez uma revolução na área de vendas de artigos esportivos. Depois fui chamado para atuar na Speedo, na Grendene e lançamos a marca “Xuxa” de calçados. Após minha longa passagem no Nordeste – que durou mais de 15 anos – voltei para o Sul.

 

Qual foi sua intenção ao retornar?

Na época tinha minha própria empresa e procurei o SEBRAE para participar de um curso sobre controles financeiros básicos da pequena empresa, e por conta do meu currículo vasto na área de técnicas de venda e marketing, acabei sendo convidado para lecionar (o Sebrae estava contratando profissionais da minha área). Dias depois, fui convocado pela regional de Londrina para lecionar para consultores.

Dei cerca de 200 cursos no Sebrae, sempre com ótimas avaliações. Procuro me dedicar bastante e até hoje, em minhas palestras, me preocupo em pesquisar sobre as empresas, a fim de personalizar minhas apresentações.

 

Como surgiu a ideia de desenvolver palestras em empresas?

A partir destas experiências com o Sebrae e até antes, quando eu dava cursos para consultores da Grendene e Topper, por exemplo, isto foi fortalecendo a ideia das palestras. Tenho também uma relação muito forte na igreja e me tornei uma espécie de “palestrante gospel” bem conhecido no meio cristão.

Neste momento, fui convidado pelo Sebrae a atuar na área de palestras. Comecei a ganhar em duas horas o que eu custava para ganhar em 15 horas com os cursos. Comecei a fazer sucesso e fui dar aulas na pós-graduação do Inbrape (Instituto Brasileiro de Pesquisa) em Técnica e Gerência de Vendas. Comecei a me preparar muito, pois era uma grande responsabilidade. Nesta época, o Sebrae me procurou para saber se tinha algum curso novo para oferecer. Disse que estava desenvolvendo um sobre Marketing Pessoal.

 

Veio daí a ideia do livro “Marketing pessoal, O Sucesso É Você”?

Fui averiguar se o tema “Marketing Pessoal” já era bem difundido e descobri que tinha pouquíssimos autores que falavam sobre o tema, em 1995. Lancei o livro e o curso nessa época e foi um grande sucesso. Apliquei nas turmas de pós-graduação e, como era uma temática que pode ser aproveitada em qualquer área profissional, comecei a me envolver em outras áreas como Logística, RH e Pedagogia.

 

Na essência, o que as empresas procuram quando requisitam seu trabalho?

As pessoas dizem que minha palestra emociona e motiva. Acabo levando para o palco toda minha experiência de vida. Por exemplo, em uma apresentação de vendas, motivação ou qualidade, comento aquilo que fiz, porque a Topper e a Grendene se tornaram sucesso.

Uma palestra motivacional por si só não deixa muitos resíduos. Ela pode emocionar em um primeiro momento, mas a partir do instante que seu chefe te dá uma “carcada”, você pensa: acabo de participar de uma palestra bacana, mas a primeira oportunidade que ele teve de me desmotivar, ele o fez. Muitas vezes, o líder não sabe detectar qual é a ferramenta necessária para motivar sua equipe.

 

De que maneira o marketing pessoal influencia na carreira de uma pessoa?

Costumo dizer que a dificuldade nas empresas é pela deformação que temos ao longo da vida. A sociedade e a família desestruturada, o corre-corre do dia a dia, as novas tecnologias, tudo isso mexe muito com a cabeça das pessoas.

Entendo que devemos treinar as pessoas para se tornarem cidadãos e líderes da sociedade. Um autor que gosto muito, Peter Drucker, fala muito sobre isso, que devemos treinar primeiramente o cidadão. Um problema comportamental não é resolvido com treinamento, e sim, com conversa, “mão no ombro” e afetividade. Já para um problema profissional, um simples treinamento resolve o problema.

Estamos criando pessoas egoístas, egocêntricas e voltadas para si, com o olhar exclusivo para suas carreiras e tentando subir de posição a qualquer custo, com raras exceções de profissionais e empresas que se preocupam em formar gente. O Marketing Pessoal diz que não basta ter um currículo recheado, se não tiver dentro de você a vontade, a determinação, o interesse em vencer. Isso tudo deveríamos trazer de casa, com uma boa formação familiar. O Marketing Pessoal mostra que a sobrevivência no mercado depende, além de conhecimentos técnicos da profissão, da postura e o jeito de conduzir a vida.

 

Publicado em: Catho